Os olhos de Gabriel foram se fechando. Eu comecei a chorar descontroladamente. A ambulância chegou, me afastaram de perto do corpo dele, não tentei nem resistir, era tudo um murmúrio, mas escutei um dos paramédicos dizerem que Gabriel estava apenas inconsciente.
Houve uma paralisação na festa, algumas pessoas foram para o hospital, pedi carona para o hospital para a minha amiga Marcinha, a mãe dela estava na festa e as duas estavam indo para o hospital para dar alguma assistência para o garoto. Elas me deram carona de boa e fomos em disparada para o hospital.
Chegando lá, descobrimos que Gabriel estava numa UTI, correndo risco de vida.
Em casa, eu mal consegui dormir de noite. A preocupação com Gabriel era constante, um sentimento de semi-culpa, talvez se eu não tivesse sido tão ciumento e tivesse procurado ter entendido a encruzilhada que ele tinha se encontrado.
Visitei Gabriel todos os dias. Na segunda-feira as aulas começaram. Na terça-feira ele saiu da UTI, não estava mais correndo risco de vida. Era um alivio essa noticia.
Só que foi só na quarta-feira que eu fui conseguir entrar no quarto, não podia ficar muita gente lá dentro, então durante a terça-feira inteira tinham ficado os pais de Gabriel e sua pequena irmãzinha.
Na quarta de tarde meu pai me deixou no hospital. Fui em direção ao quarto de Gabriel. Encontrei com os pais dele no meio do caminho.
- Que bom que você veio Gustavo. – disse a mãe dele, me dando um abraço.
Estranhei o abraço, ela deveria estar muito abalada com o acidente, era isso. Retribui o caloroso abraço.
- Gabriel vai ficar muito feliz em te ver. – falou o pai dele.
Eu assenti com a cabeça e prossegui na minha caminhada em direção ao quarto.
Abri a porta do quarto. A claridade do dia entrava pela janela.
O inverno naquele ano não estava sendo tão rigoroso assim, os últimos dias tinham sido de uma temperatura bem agradável. Gabriel estava deitado na cama, me olhava contemplativo. Eu me aproximei dele. Ele me parecia tão frágil naquela cama.
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