Me desvencilhei dele e comecei a vestir a minha roupa.
- Eh, anrã... e o seu pau comendo na minha bunda é o quê? Hein? – ele falou puto da vida comigo. – E quer saber, se você quer ir embora, você vai embora, não vou te segurar. Eu cansei de ficar me esforçando véi. É sempre eu que tenho que ficar me rastejando por você. Sendo que você nem é tudo isso.
- Ann! Eu não sou tudo isso? Então tá bom então!
Sai do quarto de Gabriel sem me despedir dele. Que ódio!
Fui pra minha casa me ardendo em raiva. Vontade de socar a Ana Paula que estava dando em cima do meu lindo e de socar o Gabriel por ficar dando trela pra aquela vadia nojenta. Chegando em casa, mal falei com meus pais. Disse por alto para a minha mãe que tinha desistido de dormir na casa do Gabriel, falei que a casa dele fedia. Minha mãe fez uma cara azeda e deu de ombros.
Em seguida fui para o meu quarto e me joguei na cama, estava segurando o choro até aquele momento, não queria que ninguém me visse chorando.
Joguei minha cara no travesseiro e comecei a soluçar sem parar. Quer dizer que eu não era “tudo isso”. Ai, como assim? Eu sentia uma dor no coração quando lembrava dele falando essas palavras. Eu amava o Gabriel, só tinha sentido ciúmes oras? Não podia sentir ciúmes? Ah também ele que fosse a merda também. É ué, poxa ele não tinha me pedido em namoro? Então, não tinha que ficar chamando a Ana Paula de linda não, ele podia ter falado de outro jeito com ela no telefone. Ahh... mas tinha sido tão lindo quando ele tinha me pedido em namoro. Será que ele tava me pondo chifre com a Ana Paula? Será que eu era muito bobo e tinha deixado ele me enganar? Não, ele me amava, eu sentia isso, ele me amava. Ou será que eu era só uma aventura pra ele? As vezes era só uma curiosidade e agora eu já tinha satisfeito a curiosidade dele. Aí, que dor, como eu amava aquele menino e só agora eu estava me dando conta realmente disso.
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