Algo estranho, confuso e novo começou a invadir minha mente e alma em relação a pessoa do meu primo, que eu não entendia. Naquele momento tinha apenas a certeza de que meu primo estaria comigo e que só de pensar em não o ter por perto era motivo de desespero para mim.
Então eu pergunto caro leitor que tipo de relação e sentimento como esse uma pessoa pode com outra compartilhar?
-Está tudo bem? Lucas perguntou.
-Agora sim! Respondi com toda certeza de que estava falando a verdade.
Os dias foram passando, a Teca resolveu pedir um tempo no nosso namoro que dura até hoje. Meu primo e eu continuamos inseparáveis como sempre, não com tantas peraltices, mas ainda com festas, no futebol, malhação com os pesos, na escola e afazeres rotineiros.
A única coisa que estava mais forte em mim em relação ao Lucas era a grande falta que eu sentia nos dias em que não nos víamos. Essa falta tornou-se tão grande que em alguns momentos chegava a doer e eu mal podia esperar o outro dia chegar para assim ele voltar, seja da casa dos primos dele, filhos da irmã do pai de Lucas que ele sempre visitava, mas que ultimamente pareceu com mais frequencia para mim, ou com as viagens no fim de semana que minha tia fazia para as cidades vizinhas para fazer compras de eletrodomésticos ou roupas de cama e o levava, pois minha cidade como já disse é do interior e aqui não tem muitas opções de compra (e as que minha tia fazia eram várias).No fim dos dias quando nos despedíamos meu peito parecia que ficava vazio, vazio que se completava um pouco com a lembrança de Lucas e a certeza de que no próximo dia nos encontraríamos.
Quando percebi que essa vontade exagerada do Lucas apenas crescia cada vez mais e mais dentro do meu ser comecei a ficar mal, queria saber o porquê daquilo estar acontecendo, e sempre que buscava uma resposta minha cabeça apenas enxia-se de mais dúvidas. Por que eu estava sentindo isso pelo Lucas? Por que isso me parece errado? Por que eu quero estar tanto perto dele? Por que a presença dele me acalma e traz conforto? Por que tenho a necessidade de todos os dias ver seu rosto, nem que seja por um breve momento?
Queria me distanciar um pouco do Lucas. Decidia-me por isso todas as noites deitado na cama esperando o sono que teimava em não vir, mas quando o sol aparecia mais que pronto eu já estava para esperá-lo para irmos à escola juntos. Então minha falta de decisão começou a me deprimir tanto que imaginei que ficaria louco por ser tão fraco. Como eu não conseguia me distanciar dele? Até que um dia resolvi desistir de desistir do Lucas.
Lembro-me que pouco depois da minha separação com a Teca, eu estava na calçada da casa do Joca, um amigo nosso, descascando algumas laranjas para chuparmos. O Joca sentado na sarjeta e eu encostado no muro da casa dele apoiado com o pé, quando ouço:-E aí primo beleza?
Reconhecendo a voz de Lucas, meu coração no mesmo momento começou a palpitar compassadamente, senti um frio gostoso no meu estômago e tenho certeza que minha face ficou rubra. Mas num rápido momento me recompus e dando um leve soco em seu braço disse:
-Tudo cara. Pega umas laranjas aí pra você. Senta com agente.
Depois disso reparei que sempre que Lucas chegava perto de mim meu corpo agia dessa forma. Era a mesma forma quando minhas namoradas chegavam na minha casa de surpresa, algo que eu sempre gostei, mas com ele parecia que era mais forte, bem mais intenso e duradouro.
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