O rosto de Gabriel estava com uma mancha roxa em volta de cada olho.
- Gabriel, eu não sei nem o que dizer, me perdoa.
Gabriel me olhava com cara de suplicio e ódio.
- Eu queria muito te perdoar Gustavo, mas como eu vou te perdoar com isso!?
Ele falando isso, empurrou o lençol da cama pro lado e mostrou seu corpo. O corpo dele estava todo cheio de manchas vermelhas e desconfigurado.
- Cada vez que olho para uma mancha dessas, eu penso em como é que eu fui burro em me deixar apaixonar por uma vadia como você.
As palavras saíram da boca dele e me atingiram igual uma bomba atômica. Era compreensível a reação dele, mesmo assim machucava.
Eu ainda tentei dialogar com ele.
- Gabriel, eu juro que eu queria que tivesse sido o contrário, que eu estivesse aí na cama e você aqui em pé. Era para eu estar doente e não você.
- Exatamente. Por que você está ai cheio de saúde e eu aqui morrendo!? – ele perguntou entre lágrimas.
Era realmente injusto, eu desejava com sinceridade que tivesse sido o oposto.
Gabriel me explicou em breves palavras que ele estava com AIDS. Ele me disse que o HIV tinha pulado a segunda fase do contágio e ido direto pra terceira fase em função do atropelamento que ele tinha sofrido a algumas semanas atrás, isso tinha esgotado o sistema imunológico dele, então o vírus tinha se aproveitado da situação.
Já eu, ainda estava na segunda fase da contaminação, era a fase em que o vírus ficava adormecido no corpo. Mas no caso de Gabriel, falando em palavras simples, o acidente fizeram com que o vírus não dormisse.
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