Na parede da sala havia um quadro pitoresco, uma dessas pinturas que não se consegue entender. O meu coração batia ansioso. O que eles queriam falar comigo? Em cima da mesa havia um calendário e um mini-globo que parecia servi como peso para papéis.
A boca de Doutor Jair se abriu.
- Bom Gustavo. Você fez um exame de sangue na semana passada...
Ele começou a falar um monte de coisas, dar várias informações, eu só conseguia prestar atenção nos lábios dele se mexendo. No mais profundo dos meus medos eu já conseguia imaginar vagamente o que ele iria dizer. Eu capengava entre o terror e o absorto. A voz grave do médico ecoava na minha cabeça.
- ... Foi constatada uma taxa quantitativa anormal de linfócitos no seu sangue. Diante desse panorama, a clinica nos mandou o resultado e nós autorizamos que fosse feito um teste chamado ELISA em seu sangue.
Ele fez uma pausa.
- O teste deu positivo, Gustavo. Você é soropositivo.
Inicio de Prolepsis (flashfoward)
3 meses no futuro.
Eu estava assentado na minha cama, quieto, chorando baixinho.
O que mais eu poderia dizer? O que mais eu poderia fazer além de chorar? Os dois gritavam no quarto. Era insuportável. Os últimos dias tinham sido só de gritaria. A relação entre os meus pais estava se deteriorando cada vez mais e era tudo culpa minha. Os dois discutiam todos os dias, tardes e noites.
Escutei bateção de porta.
- Você vai nos deixar? – gritava minha mãe chorando.
Eu não escutava a voz de meu pai.
- Seu covarde! COVAERDE! – berrava minha mãe.
Escutei o barulho de um tapa no rosto. Provavelmente minha mãe tinha dado um tapa no rosto do meu pai.
- Ele é seu filho Arthur! Seu filho, pelo amor de Deus. – o tom de voz agora era mais de suplicio do que de raiva.
Escutei a porta da rua ser aberta. Então escutei minha mãe gritar com todas as suas forças.
- VAI EMBORA DAQUI SEU MONSTRO! MONSTRO! NUNCA MAIS OUSE APARECER NA FRENTE DE NÓS DOIS! NUNCA MAIS!
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