quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Conto p/ Gozar - Banheiro da Escola - Gustavo Vintage Part45

Gente, o Gabriel levava a um outro patamar a questão de dúvidas existenciais.

- Sabe... – ele continuou. – Eu queria só não ser esquecido depois que eu morresse. Queria ser lembrado para sempre, deixar algo para a humanidade. No meu subconsciente eu tenho uma utopia de ser um escritor, sei lá, escrever algum grande livro e me tornar inesquecível ou alguma outra coisa. Maluquinho eu, né!?
- Que iss ow. Não tem maluquice nenhuma nisso. Não sei se serve de consolo, mas para mim você será sempre inesquecível, eu não vou esquecer de você nunca.

Gabriel abriu um sorriso sem jeito.

- Eh, de consolo talvez sirva... Mas não muito oww, o problema é que um dia você vai morrer também, e aí depois que você morrer, eu serei esquecido. Na verdade é uma coisa que não tem como escapar em última análise. Até Hitler um dia será esquecido, pode ser até que demore, mas um dia inevitavelmente ele será esquecido, mesmo que seja quando a humanidade for extinta. Afinal, um dia a humanidade vai deixar de existir, o planeta Terra vai deixar de existir, não tem como escapar disso. E tudo terá sido em vão... As guerras que o Hitler fez terão sido todas em vão, não terão feito diferença nenhuma. No final, tudo acabou, nada fez diferença... Entende?

Eu olhava extasiado para Gabriel.

- Entendo. Mas sei lá, igual você falou, se não tem como escapar, para quê ficar esquentando a cabeça com isso?
- Esquentar a cabeça ou não, não faz diferença, no final nada fez diferença... Aff.... Nunca queria ter chegado a essa conclusão.
- Ihh ow, descola disso ow. Bom, se serve de consolo, você não é o único condenado a ter uma vida assim... Todos os seres humanos estão fadados a isso, você não é diferente dos outros.

Gabriel parou por um instante para pensar.

- Eh, até que é verdade isso aí que vocês está falando.
- E tem mais, talvez o sentido da vida seja justamente não ter sentido. Afinal que graça teria se você descobrisse o sentido da vida? Se você descobrisse o sentido da vida, ela deixaria de ter sentindo. Sacou!?

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