- Credo Gabriel, você não acha que é meio cedo para pensar nisso não!?
- Talvez, mas quando eu escuto essa música, eu não sei porquê, mas penso nela tocando no meu funeral, acho ela perfeita para um funeral.
Que horror, eu pensei.
Mas a música não era nada horrorosa. Aliás, era deveras bonita.
- Eu vou colocar no youtube, porque não estou achando o arquivo dela aqui no meu pc. – falou Biel.
Eu assenti com a cabeça. Ele continuou falando.
- Não repara no vídeo, que o vídeo não tem nada demais, presta atenção na música.
- Tá certo. – eu respondi.
Ele então digitou “Wander My Friends” na busca do youtube e em seguida selecionou um vídeo.
Começou a tocar uma espécie de uma marchinha e logo depois uma voz catando numa língua que eu não soube reconhecer. Eu percebi que lágrimas começaram a escorrer dos olhos de Gabriel. Ver ele ali emocionado, acabou me fazendo ficar emocionado também e lágrimas também desceram dos meus olhos, a música era linda, mas carregava um peso de tristeza junto com ela, difícil até de explicar.
Olhamos um para o outro e começamos a rir da nossa fragilidade emocional. Passei a mão secando meus olhos, ele também.
- Que língua é essa? – eu perguntei.
- Eu não tenho certeza, mas eu vi na internet que é uma tal de “Irish gaelic”, não sei como é chamada em português essa língua.
Gabriel me explicou que ele tinha conhecido essa música numa série de ficção cientifica, por mais estranho que isso soasse, chamada BattleStar Galactica, a quel ele era fã fanático.
- Pois é. – e ele continuou a falar do seu sonho de funeral perfeito. – Eu quero ser cremado e quero que joguem minhas cinzas no mar enquanto tocam a música no fundo.
Era engraçado ver Gabriel contando os detalhes de como que ele queria que fosse o seu próprio funeral. Pra começar nossa cidade nem ficava no litoral, como que ele queria que jogassem as cinzas dele do alto de um penhasco no mar? Mas de qualquer jeito era bonitinho ver os olhos dele brilhando enquanto descrevia cada detalhe.
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