Gabriel me olhou e em seguida se levantou chateado, indo embora.
Deitei na cama, pensativo. Minha cabeça estava borbulhando.
A verdade era que eu nunca tinha beijado a boca de outro garoto antes. Já tinha feito de tudo, mas beijado em boca de homem não.
Para mim, beijar a boca de outro homem era pecado capital, eu tinha nojo e aversão.
Engraçado era, contudo, que não tinha sentido nojo de sentir a língua de Gabriel explorando a minha boca.
Mas aquilo tudo tinha sido um grande impacto. Era uma atitude que eu simplesmente não estava esperando de Gabriel, por mais que agora fizesse sentido e eu percebesse que ele tinha jogados vários sinais, na hora eu tinha ficado assustado.
Quanto tempo se passou até chegar o dia seguinte, foram muitas horas de cabeça nas nuvens.
Tive que ir à aula, não podia faltar tanto, a tonteira que eu tinha sentido nos dias anteriores havia passado, mas a dor na garganta persistia.
Na sala, eu mal conseguia olhar para Gabriel. Eu meramente fingia que nada tinha acontecido. Eu não estava sabendo lidar direito com a situação.
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Foi então que eu resolvi me colocar no lugar de Gabriel, ele devia estar péssimo, envergonhado etc, talvez fosse minha obrigação dar alguma espécie satisfação a ele, ao invés de deixar as coisas no ar.
Escrevi em papel, um bilhete; e lhe entreguei. Nada sofisticado, apenas dizendo para ele sair de sala, que eu queria conversar com ele.
Eu levantei o braço.
Posso ir ao banheiro? – pedi.
Sim, Gustavo. – respondeu a professora.
Houve murmúrios na sala, risadinhas abafadas. Provavelmente as pessoas estavam achando que eu estava indo vadiar no banheiro, essas fofoquinhas já estavam me deixando sem paciência.
Caminhei até o final do corredor para me relaxar. Avistei Gabriel saindo da sala.
- Vamos para um lugar mais tranqüilo. - eu falei.
Eu e Gabriel fomos até uma parte menos movimentada do colégio, perto de um banheiro antigo, que hoje em dia ninguém mais usava porque era muito antigo e sujo.
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