Eu me concentrava para não pensar em nada.
Ficava olhando as coisas a minha volta, como se eu estivesse numa viagem. Era impressionante como eu percebia detalhes na rua, que de outras milhares de vezes tinham simplesmente passadas despercebidas, como por exemplo um ninho de passarinhos na árvore da esquina.
Era observar esses pequenos detalhes e constatar que a vida estava nessas coisas simples. Isso fazia eu me sentir um desperdiço de vida. Quantas vezes eu tinha parado para aproveitar esses pequenos fato? Era uma mania minha viver sempre pensando no dia de amanhã, fazendo planos, sonhando e deixando o dia de hoje, o dia presente, escorrer pelo tempo.
Mas não era bom ficar pensando nisso. Eu tinha combinado de esvaziar a minha mente, não pensar em nada. E foi assim que segui meu caminho até dobrar na Rua Santo Antonio. Naquele momento vi uma casinha que oferecia curso de origami e desenho e foi fatalmente impossível não pensar em Gabriel. Planos de voltar no hospital para conversar com ele melhor.
Foi sem embargo que virei para subir a Rua São Sebastião porque queria ir na Praça do Olegário. Mal dobrei a esquina e um pão com o dobro do tamanho do anterior estava no meio da rua, ocupando também pedaço da calçada.
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