Sim, o chão lá embaixo me parecia bastante convidativo. O que eu teria a perder? Eu só teria a ganhar.
Mas e a coragem? Onde estava a coragem de seguir em frente com esse plano?
A coragem vinha e logo em seguida ia embora. Pular da janela seria uma decisão definitiva, não teria como voltar atrás, e o ser humano tem medo do que não pode ser corrigido. E se pular da janela não fosse a melhor saída?
Eu ria da minha própria covardia. E minha falta de coragem só me fazia sentir pior, mais angustiado ainda. A vontade de cometer suicídio não ia embora da minha mente, cheguei a abrir a janela, mas eu parecia travado para dar o passo seguinte.
Passei a madrugada acordado em frente a janela. Vi o sol nascer, então me veio aquele ditado na cabeça, “O sol nasce para todos”, e de repente aquele ditado parecia ser apenas um modo tosco de afastar a infelicidade, um jeito paliativo de dar esperança a alguém.
Eram cinco horas da manhã, fazia um pequeno frio. Vesti minha calça jeans, uma camisa azul escura e meu casaco branco da Leaf. Eu precisava andar um pouco, esse seria provavelmente o melhor horário para caminhar na rua sem rumo.
Saí do apartamento na ponta dos pés, não queria que meus pais me vissem saindo de casa, seria altamente inconveniente. Peguei o elevador e fui ao encontro da liberdade da rua, pisei no chão que outrora vira lá de cima da minha janela do quarto.
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