- O que eu preciso saber... – mas ele não conseguiu terminar a frase.
- O que você precisa saber ow? – eu insisti.
Gabriel tossiu. Saiu sangue de sua garganta, ele pegou um lenço de papel que havia na cabeceira da cama e limpou o canto da boca. Em seguida se ajeitou na cama e pegou em minha mão com as suas duas mãos.
Os olhos dele secavam o meu rosto e ele parecia bastante receoso de fazer a pergunta. As palavras pareciam não quererem sair de sua boca.
- E/ e/ eu/ quer/ quero/ saber se você realmente me amou de verdade algum dia?
Ele me olhava como se todo o sentido de sua vida dependesse intrinsecamente daquela resposta.
Eu lhe retribuí o olhar profundo, totalmente sem palavras.
- Sim, é claro que sim. – foi o que eu consegui dizer na hora, depois continuei. – Você se esqueceu que você endoideceu meu coração? Eu te amei de verdade, Gabriel. Aliás, eu te amo! Eu jamais pensei que eu pudesse sentir o que eu sento por você.
Nesse momento eu comecei a chorar.
- Se eu pudesse. – eu falei. – eu daria a minha vida pela sua. Você foi um anjo na minha vida.
Lágrimas começaram a surgir nos olhos de Gabriel.
- Eu precisava saber disso. Eu precisava saber se eu não tinha sido simplesmente um burro de amar alguém que nunca me amou. Porque o que eu senti por você não tem explicação.
- Eu senti também. Não foi nada ilusão Gabriel. – eu falava com fervor. – Foi tudo real. Foi um sentimento real. Um sentimento que poucas pessoas são capazes de desfrutar na vida.
- Eh, então agora eu posso morrer mais aliviado. – ele falou.
- Não, você não vai morrer.
- rs... É o que eu todos dizem... Mas vocês acham que eu não sei? É só olhar a transformação no meu corpo. Eu não queria que você tivesse me visto assim.
- Eu não me importo. Eu continuaria te amando mesmo que seu corpo virasse pelo avesso.
A frase saiu indelicada e eu fiquei quieto, sem graça.
Nenhum comentário:
Postar um comentário