domingo, 18 de outubro de 2009

Conto p/ Gozar - Vestibulandos - 2ª Temporada - Gustavo Vintage

A mãe de Gabriel olhou para mim, eu me levantei da cadeira e os eventos seguintes aconteceram todos de forma muito rápida.

Quando eu percebi, eu já estava do lado de fora do quarto, no corredor do hospital, com a mãe de Gabriel berrando no meu rosto e dando tapas fortes na minha cara. Os parentes de Gabriel estavam ali perto e correram para segurar a mulher. Eu tinha chegado no horário em que eles tinham ido almoçar, mas agora eles estavam de volta.

O pai de Gabriel segurava a sua esposa, para que ela não avançasse mais sobre mim. Eu chorava, doía ver a mãe de Gabriel me tratando daquele jeito, como se eu fosse sujo, até outro dia atrás ela me tratava super bem e agora tudo mudara. Meu rosto formigava com os quatro tapas na cara que ela tinha me dado, minhas bochechas estavam vermelhas. Eu a olhava incrédulo, incapaz de acreditar na palavras que ela gritava. O marido dela tentava acalmá-la.

- Vá embora Gustavo, você não é mais bem-vindo aqui. – disse o pai de Gabriel e virou-se para a mulher. – Querida, vamos tomar uma água.
- NÃOOO! – berrou a mulher, saindo até saliva da sua boca. - TIREM esse desgraçado da minha frente, essa bicha desgraçada. O que você fez com meu filho? O QUE VOCÊ FEZ COM O MEU FILHO? EU TE ODEIO. EU TE ODEIO.

Ela se debatia nos braços do marido.

- Vá moleque. Vá embora. – repetiu o marido.

A contra gosto me virei de costas e me pus a caminhar em direção ao elevador, meu cabelo estava bagunçado e minha camisa toda amarrotada.

- Isso, seu vagabundo de merda. VAGABUNDO!

Entrei no elevador, desci para o átrio e saí do hospital, com todo mundo olhando pra mim, eu me sentindo totalmente humilhado. Que ódio. Ela não tinha esse direito, ela não tinha esse direito. Ao mesmo tempo, talvez ela tivesse sim. O que será que estava passando pela cabeça dela? Ela provavelmente devia ter ódio mortal de mim, eu tinha arruinado a vida do filho dela. Por mais estranho que isso fosse, naquele momento, desejei que ela tivesse me batido mais.

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