O pai de Pedro nos deixou na festa. Quando chegamos lá, o aniversário já estava agitado, pessoas dançando e tals.
Eu nunca tinha bebido em festas de 15 anos. Mas as promessas de que a cerveja me deixaria alegre e que me faria esquecer os problemas, acabaram me seduzindo naquele dia. O garçom passou pela gente; Felipe pegou um copo, Pedrinho pegou um copo, Luis recusou, pegou um copo de refrigerante. Eu estiquei o braço com decisão e peguei um copo, em seguida o garçom o encheu com cerveja.
A cerveja tinha um gosto amargo, Pedrinho disse que eu me acostumaria com o gosto, ele sabia que era a minha primeira vez com a cerveja; Felipe soltou um sorriso irônico de deboche em cima de mim, eu ignorei, e Luis me lançou um olhar de reprovação, mas não disse nada.
Hora e outra eu começava a pensar em Gabriel que estava lá apodrecendo no hospital, isso me fazia sentir vontade de chorar, me comprimia o coração de forma violenta, então eu ia e pegava mais uma cerveja.
Passado algum tempo eu já tinha perdido parcialmente a consciência de tudo que eu estava fazendo. Tudo a minha volta parecia bonito e ao mesmo tempo melancólico. Era boa a sensação que a cerveja trazia; uma sensação de vazio; de repente o fato de Gabriel estar morrendo de AIDS por minha causa parecia uma coisa tão distante, como se fosse algo de outro mundo. Eu estava ali na festa, com um copo de cerveja na mão esquerda e dançando de forma ridícula.
Eu bebia mais cerveja. Eu queria me desligar do mundo real por alguns minutos, só isso. Era demais um garoto desesperado pedir por um pouco de alienação?
Eu estava entretido com a música, conversando com Luis sobre algo que nem me lembro mais (tadinho do Luis, tendo paciência de ouvir o meu papo de bêbado), quando Pedrinho se aproximou de mim.
- Hey, Gustavo, já que você tá no lance de novas experimentações, tá rolando um barato maneiro lá nos fundos. Vão chegar lá? – ele cochichou em meu ouvido, sem deixar Luis escutar.
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