- Barato? Que barato? – perguntei ao pé do ouvido de Pedro.
- Relaxa Gustavo, é coisa tranqüila. – ele me respondeu.
Antes que eu pudesse dizer sim ou não, ele já foi me empurrando e me tirando dali do centro da festa. Passamos por Felipe que estava dando uns pegas numa garota em um canto da festa.
Fomos para os jardins do fundo da casa. De baixo de uma das árvores, assentados, havia um grupinho descolado.
- Ae galera, eu trouxe um amigo. Esse daqui é o Gustavo. – anunciou Pedrinho.
Eu acenei com a mão, meio zonzo em função do álcool.
- Fala aí, Gustavo, tudo na paz? – saudou o grupinho.
- Gustavo, você está dourado! – falou uma menina, que já estava bem malucona.
Pedrinho se assentou junto ao grupo e apontou um espaço ao lado dele para eu me assentar também. Pedro já era do metiê e conhecia todo mundo.
- Qual vai ser a do seu amigo, Pedro? – perguntou um cara mais velho, que parecia ser meio que o líder.
- Pow, descola um lolózinho pra ele, Kaçupa.
Loló? Foi como se um sistema de alerta tivesse sido acionado quando ouvi a palavra. Hesitei.
- Bacaninha, fica tranqüilo. – falou Kaçupa, quando notou minha súbita mudança de zonzo para alerta. – Loló não é droga não, fii.
Olhei para Pedro, buscando algum suporte.
- Gustavo, relaxaaa véi.Você vai adorar. – disse Pedrinho, mas eu não senti muita segurança.
Kaçupa me estendeu um pequeno pedaço de tecido, que na verdade era um pequeno rasgado de uma camisa.
Eu peguei aquele pedaço de camisa de sua mão e fiquei observando. Diante da minha total ingenuidade diante daquele pedaço de tecido, Pedrinho virou-se pra mim e me explicou o que eu tinha que fazer.
- Você estica isso ai na boca e depois puxa o ar pra dentro. – ele falou.
Olhei receoso para o pedaço de camisa que estava nas minhas mãos. Esticar aquilo na minha boca e puxar o ar pra dentro. Certo. Mas eu precisava mesmo fazer aquilo?
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