Passaram-se 3 dias e o aparecimento dos pães continuava sendo um mistério não solucionado.
No 4° dia depois do aparecimento do pão gigante em São Paulo, recebi a noticia do falecimento de Gabriel.
Embora eu devesse esperar por isso, a noticia foi um tremendo choque, no fundo da minha alma eu acreditava veemente que tudo iria ficar bem e que eu seria feliz para sempre ao lado de Gabriel. Agora eram sonhos impossíveis.
Um novo fantasma passou a rondar a minha cabeça. Definhar num hospital até a morte, seria esse o meu futuro? Tive medo. De certa forma, os meus dias também estavam contados e agora isso parecia mais nítido do que nunca.
A dor que eu sentia com a perda de Gabriel se mesclava com o meu pavor de uma morte lenta e dolorida, formando uma sensação negra dentro do meu peito, um frio agudo na minha nuca e uma vontade de berrar até perder a voz.
Não ousei ir ao velório de Gabriel. Não queria causar mais dor e aborrecimento para a família dele. Passei apenas pelo lado de fora da igreja, mesmo assim eu consegui avistar o caixão de longe, o local estava todo enfeitado de origamis, eram rosas, pássaros, sapinhos, estrelas, besouros e uma infinidade de outras flores e animais em origami que ornamentavam o interior da igreja, todos esses origamis feitos pelo próprio Gabriel. Era como se o espírito dele estivesse ali, em cada dobra de origami.
O meu príncipe, o príncipe encantado...
Gabriel era um menino de ouro. Eu chorava só de pensar que eu nunca mais ouviria aquela voz charmosinha dele.
Eu fazia um esforço para lembrar exatamente de como que era barulho que ele fazia quando ele dava uma risada. Eu não me perdoaria nunca se algum dia eu esquecesse.
Em casa, eu ficava olhando para a foto que eu tinha tirado com ele. Lembrava que no dia ele tinha reclamado, tinha dito que estava com cara de retardado. Realmente Gabriel estava parecendo um palhacinho na foto, mas em nenhuma outra foto ele estava com um sorriso tão bonito e espontâneo como naquela.
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