Gabriel assentiu feliz. Voltou para o seu grupinho de amigos e disse que precisava resolver algumas coisas e em seguida se despediu deles.
Caminhamos pelo pátio, os dois sorrindo a toa. Parei numa barraquinha e pedi dois cachorros-quentes, um pra mim e um para o Biel. Assentamos num banquinho ali perto e ficamos comendo os tais cachorros-quentes e nos contemplando um ao outro.
Uma turma do segundo período primário estava no centro do pátio, sendo a atração da vez, dançavam quadrilha. Olha a chuva pessoal, falava a professora. Tira a roupa do varal, gritava a turma. Passou. Êeee. Olha o espinho. Aih meu pezinho. Caminho da roça pessoal. Olha o túuu. Túuuu.
Terminado o cachorro-quente, Gabriel olhou meio e sem graça pra mim.
- Que foi? – eu perguntei.
Ele olhou para o chão sem jeito.
- É que eu estou com a chave do banheiro privativo do diretor. – ele disse tímido.
O diretor da escola tinha um banheiro que era de uso exclusivo dele, que ficava do lado da seu escritório e que era trancado com chave. Por alguma mutreta escolar, Gabriel conseguira adquirir a tal chave que trancava o banheiro e agora pensamentos indecentes rodeavam nossas mentes.
Fomos caminhando discretamente em direção ao escritório do diretor. As luzes dos lampiões que enfeitavam o pátio irradiavam meus olhos. O meu cabelo se bagunçava com o vento e o meu cérebro se embananava com a explosão de ansiedade que eu estava sentindo.
Entramos no corredor, o lugar estava vazio. Gabriel falou baixinho perto do meu ouvido.
- Eu nunca fiz nada tá ow. Sou virgem. – disse encabulado.
Eu dei um sorriso para ele e fiz um cafuné meio mal dado na cabeça dele em seguida dei um beliscão na sua bunda, de forma bem atrevida.
- Não precisa acontecer nada que você não queira que aconteça, ok!? – eu falei olhando para o rosto de anjo dele.
- Ok. – ele respondeu.
Chegamos à porta do tal banheiro. Gabriel enfiou a chave e virou o trinco, a porta se abriu, revelando um banheiro limpinho e arrumado na escola.
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