As pernas de Gabriel se roçavam nas minhas e seus pés se emaranhavam com os meus. O tênis dele estava largado num canto do quarto, as meias em outro, a cueca ele tinha jogado de qualquer jeito em cima da cadeira, a camisa e a bermuda em cima do monitor do computador. Já o meu tênis estava num cantinho atrás da porta, as meias dentro dele, e minha roupa estava por cima, cuidadosamente dobrada.
Gabriel do segundo ano me penetrava com vontade, provavelmente ele estava de fato há muito tempo na seca com as mulheres, o que era algo surpreendente, porque ele era bem gostoso.
Sem aviso, escuto ele dar um grito mais alto e se contorcer, segurando-se com força na cama. Ele havia ejaculado dentro de mim. Não sinto nada, ele estava de camisinha. O corpo suado dele desaba sobre o meu e eu sinto o suor dele melecar a minha pele, fico com vontade de sair dali desesperadamente.
Caminhando de volta para casa, perdido em pensamentos alheios, vejo os carros passarem, os cachorros fazerem xixi nos postes, as pessoas caminharem com suas vidas individuais.
E o cheiro de alecrim? O cheiro de alecrim eu queria sentir ao lado de Gabriel, o meu príncipe, o Biel. Por que eu estava desperdiçando ele afinal?
No dia seguinte ia ter festa junina na escola. Cachorro-quente, milho na espiga, canjiquinha... (nem gosto de canjiquinha, também nunca comi).
Procurei ávido por Gabriel, queria falar com ele loucamente, dizer que queria fazer ele feliz.
Encontrei ele num grupinho de amigos, uma xereta estava dando em cima dele. Fiquei por ali perto, como quem não quer nada, como se eu estivesse ali por acaso, mas fazendo de tudo para que ele me visse.
Finalmente ele me avistou, deu um sorriso para mim e eu o retribui, só então ele veio na minha direção. Eu queria pedir desculpas para ele.
Ele chegou perto de mim, dei um abraço forte nele, não foi preciso dizer nada, o silêncio falava por nós.
- Vamos dar uma andada aí. – eu sugeri.
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