Sequei meus olhos com as mãos.
- O que foi?
- Tá tudo bem? – ele perguntou.
Me desvencilhei da mão dele que estava segurando com força o meu braço.
- Sim. – respondi me recompondo.
- Pow, é que eu tô num tesão do caralho véi. – ele falou. - Tô precisando fuder alguém.
Nesse momento, um milhão de coisas se passaram pela minha cabeça.
O que eu era?
Eu era apenas uma reserva para os machos, para quando eles não conseguissem comer bucetas, eles teriam o meu buraquinho, que era pior que as bucetas, mas que quebrava o galho deles quando era necessário.
Eu tinha sido um tolo de achar que eu poderia ser feliz com Gabriel (o príncipe), só se eu nascesse de novo. Eu não queria pensar em mais nada, estava me sentindo muito mal e deprimido.
- Então vamos. – foi o que eu acabei respondendo para o Gabriel do segundo ano.
- Beleza. Eu moro aqui perto. O apartamento está vazio. A gente vai ter mais privacidade lá.
Alecrim, alecrim dourado...
Que nasceu no campo
E não foi semeado...
Foi meu amor...
Que me disse assim
Que a flor do campo
É o alecrim...
O computador estava ligado, o Windows Media Player aberto, tocando uma música com uma batida eletrônica. Eu estava deitado de bruço na cama do Gabriel do segundo ano, com a bunda virada pra cima e empinada. Ele estava por cima de mim, me comendo, metendo o seu pau na minha bunda no mesmo ritmo que a música.
Aquele corpo grande, musculoso e pesado me esmagando contra o lençol. O rangido da cama se misturava com a respiração ofegante de Gabriel no meu ouvido e, ao fundo, com a batistaca da música.
O quarto tinha um cheiro agradável de alecrim da manhã, mas aquele cheiro era insuportável para mim, o quarto era para ter cheiro de putatira oras e não de alecrim caralho. O cheiro ficava me lembrando aquela cantiga popular de criança, Alecrim Dourado.
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