- Você é perfeito. Eu tô com medo de isso tudo ser um sonho. – eu falei.
Fiquei fitando os olhos de Gabriel. Por que será que ele tinha gostado em mim? Era muito difícil acreditar que um garoto daqueles estava apaixonado por mim. Não que eu fosse feio, eu era muito bonito. Mas até aquele instante eu achava que todos os príncipes que existiam no mundo eram héteros e estavam em busca de princesas, eu não sabia que podia existir um príncipe daquele jeito igual ao Gabriel.
Quais eram as probabilidades? Acho que teria sido mais fácil eu ganhar na Mega Sena do que ter achado Gabriel.
E de repente eu comecei a sentir vergonha de saber que ele tinha me visto lá no outro banheiro da escola com aqueles dois skatistas e depois ter me visto no banheiro da casa do Luis, sendo comido pelo Felipe. Comecei a me sentir indigno, será que Gabriel merecia um garoto igual a mim? Gabriel era um garoto tão puro. Subitamente comecei a sentir nojo de mim mesmo.
Gabriel se precipitou sobre mim, para me dar mais um beijo. Mas eu virei o rosto.
Eu não conseguia mais dar um beijo em Gabriel. Eu estava me sentindo podre demais para um garoto como o Gabriel, contaminado pelas putarias que eu tinha feito antes. Fiquei com vontade de apagar tudo, desejei mais do que tudo ser um garoto puro para ser possuído pelo amor de Gabriel.
Comecei a chorar.
Sai do banheiro correndo e chorando, deixando Gabriel com uma expressão de aflição no rosto.
Corri em direção aos jardins da escola, com uma vontade de sair daquele meu corpo nojento.
Eu estava atravessando a aléia das rosas, quando senti alguém me segurar forte pelo braço. Olhei para trás, esperançoso de ser Gabriel, que iria me falar que não se importava com o meu passado, que o amor dele por mim era maior que isso tudo. Mas tomei um susto, não era ele que tinha me segurado pelo braço. Era Gabriel, mas não o Gabriel meu príncipe. Era o Gabriel do segundo ano, o de 17 anos, aquele primeiro com o qual eu tinha transado no banheiro da escola e perdido a virgindade.
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