Dane-se, eu pensei. Levei o pedaço esticado de camisa até a minha boca e soprei ar para dentro. Senti uma sensação de êxtase dentro de mim. Meus olhos se arregalaram e meus ouvidos ficaram mais aguçados, me senti como um animal selvagem e com uma necessidade de cheirar mais daquela substância delirante. Coloquei de novo a camisa rasgada na boca e inspirei mais ar. Uma nova onda de sensações exóticas entrou em meu corpo. Não é que a menina de vestido azul estava certa, eu estava dourado, que loucura. Que barato...
- Passa aí. – pediu Pedrinho.
Passei o pedaço rasgado de camisa para Pedrinho e ele também deu inalada no tecido. Eu me sentia leve, livre e solto. Despreocupado, como se a vida se resumisse a apenas cheirar aquele pedaço de camisa.
Passou uns 10 minutos e o efeito do loló foi passando. Estiquei a mão para Pedrinho, pedindo o pedaço de camisa de volta. Peguei o tecido quase arrancando da mão dele. Levei rapidamente à minha boca e puxei o ar pra dentro de novo. O loló já estava dissipado e o efeito não foi tão forte. Puxei o ar com mais força, com mais desespero, como se a minha vida dependesse daquilo, o clorofórmio entrava em meus pulmões, mas a sensação já não era tão intensa.
- Tá fraco. – eu falei.
- Calma aí, lesk. – falou Kaçupa. – Tem mais uma tirinha aqui.
Eu avancei eufórico para pegar, mas Kaçupa desviou.
- Relaxa aí fii. Cinco conto pra eu te entregar. – ele falou.
Eu abri a minha carteira e tirei uma nota de cinco reais.
- Pronto, me dá. – eu falei.
- Toma. Mas vai com calma, assim o efeito vai embora rápido lesk e você não vai aproveitar nada.
Peguei o pedaço de pano e inspirei fundo. As vozes ao meu redor pareciam zumbidos de girafas, era insano e magnífico.
Fiquei ali, viajando. Depois me levantei e fui beber mais.
Lá pelas tantas, eu já estava bem doidão e já não tinha mais a mínima noção do que eu estava fazendo.
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